tem 26 anos e estuda jornalismo. Conversa com todo mundo, lê muito, viaja menos do que gostaria e fica feliz com barulho de cachoeira. No momento, trabalha em seu primeiro livro-reportagem sobre sua maior paixão: viajar.
O Salar de Uyuni é famoso por ser considerado a maior planície salgada do mundo – são aproximadamente 12.000 km2 . “É tão grande, que com o reflexo do céu, fica difícil delimitar a linha do horizonte”, segundo conta a jornalista Alice Watson, em seu “O guia do mochileiro – um roteiro pela Bolívia e Peru –“. Fica localizado no sudoeste da Bolívia, no altiplano andino, a mais de 3.600m de altitude e ocupa territórios dos Departamentos de Potosí e Oruros.
Maior que o conhecido lago Titicaca, o Salar surgiu a milhares de anos. Um lago pré-histórico gigante chamado lago Michin secou, deixando, em seu lugar, os atuais lagos Poopó e Uru Uru e dois grandes desertos: o Coipasa, menor, e o maior, Uyuni.
Sobre o Salar de Uyuni, nos diz a Wikipedia:
- É composto por uma mistura de salmoura e barro lacustre;
- Estima-se que ele contenha 10 bilhões de toneladas de sal das quais menos de 25.000 são extraídas anualmente;
- É formado por aproximadamente 11 camadas com espessuras que variam entre 2 e 10 metros e a profundidade total é estimada em 120 metros;
- É uma das maiores reservas de lítio do mundo, além de conter grandes quantidades de potássio, boro e magnésio;
- A origem do sal provavelmente está relacionada com a imensa quantidade de vulcões no entorno do Salar, já que ele fica localizado em uma região de altiplano. A concentração do sal também se deve a aridez do local.
Ilha do Pescado, Uyuni
Os moradores da região têm como principal atividade a extração de sal e a exploração turística do deserto. As principais atrações, além da bela paisagem do próprio salar são o hotel de sal – desativado – e a Ilha do Pescado, com seus recifes e cactos de até dez metros de altura. Além disso, o visitante pode conhecer as lagoas de águas termais com gêiseres que exalam vapor na mesma temperatura da água, além de avistar lhamas e flamingos.
O tour completo começa em Uyuni e dura quatro dias, com direito a acampamento no meio do deserto. Quem não estiver tão disposto assim a esse tipo de aventura, pode fazer o tour de um dia só. Nos dois casos, para chegar ao Salar, somente de carro 4x4.
No começo desse ano, fiz uma viagem de barco de Santarém, no Pará até Manaus, No Amazonas, onde conheci uma menina muito legal dos Estados Unidos chamada Sarah. Como a viagem durou três dias inteiros e estávamos num mini-barco de dois andares, sem muito o que fazer, conversamos bastante. Foi ela que me falou sobre o “Rainbow Family”, um grande festival que reúne pessoas de culturas alternativas do mundo todo, em diversos lugares do globo.
Curiosa que sou, cheguei em casa e fui direto pro Google. Descobri o seguinte:
O Rainbow Gathering como é conhecido, existe há 39 anos e tem como objetivo reunir pessoas de diferentes culturas e pensamentos interessadas em uma nova vivência, completamente a parte da sociedade capitalista tradicional, “fora da Babilônia”, como definem os participantes.
Os encontros chegam a reunir cerca de 30.000 pessoas e predominam em sua filosofia, conceitos de paz, amor, harmonia e liberdade.
Li uma matéria da revista Trip que os definiam como os maiores encontros hippies do globo. Como não sou muito chegada à rótulos, discordo. Até porque, afinal , o que é ser hippie, hoje em dia? – A resposta para essa pergunta será encontrada em outro post, em breve -.
Mais do que um encontro hippie, prefiro defini-lo como uma reunião de pessoas com formas de pensar e agir alternativas, que incluem entre outras coisas, mochileiros do mundo inteiro e até crianças e cachorros.
São realizados em grandes campos abertos e pitorescos que podem variar da Nova Zelândia à Pensilvânia.
O Rainbow não é apenas um encontro. Existe uma cultura Rainbow que é aplicada durante o evento que dura 4 luas, aproximadamente um mês.
Durante esse período, os participantes são convidados a deixar de lado certos hábitos da vida moderna, como por exemplo, a individualidade. Tudo é feito em grupo, inclusive a comida. São construídas cozinhas comunitárias, onde o principal tipo de alimento é o vegetariano. Embora, em alguns encontros, existam campos de carne. Outra característica é a quase ausência do dinheiro, como moeda de valor. Tudo funciona na base da troca, em grandes rodas onde você pode negociar com os outros “irmãos”, coisas das quais necessite. O único momento em que se vê dinheiro, é quando se passa o Chapéu Mágico, onde você pode, se quiser, depositar qualquer quantia que lhe convenha. Se não tiver nada, um beijo o um sorriso para o chapéu também valem. Outra forma de colaborar, é cozinhando ou construindo as estruturas do festival como fogões de barro e banheiros secos.
Outras curiosidades: O Rainbow é uma espécie de anarquia organizada. Não há líderes definidos. E como um encontro de milhares de pessoas pode funcionar sem liderança? Você pode se perguntar.
Bem, existem reuniões, grandes círculos de fala, onde as pessoas discutem o que será feito e para dar sua opinião, você recebe o bastão da fala e depois o passa adiante. E há focalizadores, pessoas responsáveis por organizar as reuniões, mas que raramente intervêm no que está sendo discutido.
Teoricamente, não é permitido álcool, drogas e cigarros industrializados durante os encontros, embora em alguns, existam A- Camps, ou seja, campos em que o uso de álcool é permitido.
Para se ter a permissão de realizar um evento como esse em lugares abertos, o uso de drogas é proibido, mas mesmo assim, a maconha é largamente utilizada e no último encontro na Nova Zelândia, muitas pessoas foram vistas usando LSD na virada do ano. De qualquer forma, o evento é absolutamente democrático e tudo o que é feito lá, parte de uma escolha absolutamente pessoal.
Pessoas mais velhas não são muito comuns, isto porque, a idéia é que você passe pelo festival, aprenda e depois de um tempo saia para por em prática os ensinamentos, seja fundando ou indo morar em comunidades alternativas, seja aplicando isso na sua rotina. É claro, que há os que passam a vida inteira indo de um Rainbow a outro sem nunca parar. Mas eles não são a maioria.
A higiene é outro ponto polêmico, pois muitos participante evitam banhos com o uso de sabonetes e shampoo, o que depois de quase um mês, pode ser um problema para os olfatos mais sensíveis.
De resto, o Rainbow proporciona às pessoas, momentos agradáveis com muita música, oficinas, yoga, reflexão, ensinamentos, conhecimento pessoal intenso e muitas descobertas, afinal não é todo dia que sem a oportunidade de se conviver com 30000 pessoas do mundo inteiro. Quem já foi, afirma que a experiência é única.
Para participar não precisa pagar entrada. Basta levar suas coisas dentro de uma mochila, uma barraca, comida para contribuir com a cozinha e coração e mentes abertos para novos aprendizados.
Como li no site do encontro, “traga coisas boas. Você ficará surpreso de que o que você realmente precisa é na verdade muito pouco. Traga amor, abraços e boas energias e o mais importante: traga você mesmo”.
Confesso que desde a conversa com a Sarah, fiquei morrendo de vontade de ir. O próximo encontro mundial será na Argentina, entre os dias 4 de março e 3 de abril deste ano. O problema, é que assim como no ENCA – encontro parecido que ocorre no Brasil- é difícil achar informações com antecedência. E por isso, ninguém tem certeza, se o evento vai sem em Mendonza, Córdoba ou em outro lugar. Certeza mesmo, só o país.
Ficou interessado? Procure Rainbow Gathering no Facebook ou acesse o site do evento. Como estou com problemas para colocar links no post, os endereços estão aí ao lado.